Depois de um retiro espiritual nos montes verdejantes do Pai Mei, estou aqui de volta como o Mestre Elsiano. Exceto o nome, nada mais mudou. Vejo o ano a acabar, os sinos a tocar e o Papai Noel revisando o seu trenó para mais um ano de entregas. Como fui eu um mal cristão nesse ano, talvez não receba a minha BMW de presente, mas estou feliz, já ganhei minhas passagens da Emirates para um vôo de primeira classe para o céu!
Aliás, sempre estamos a esperar um ano melhor após o outro. Um emprego melhor, uma casa melhor, relacionamentos melhores, um cachorro melhor, enfim, sonhamos demais e pouco fazemos. Creio que sejá tudo efeito da cidra e do peru da ceia. No final de cada ano fazemos nossas contas e não conseguimos nem metade do que desejamos no anterior.
Somos folgados inveterados e pensamos que apenas a roupa branca, Iemanjá ou seja lá quem for é que irão nos ajudar. Como diria um velho mestre budista-hinduísta nepalês que encontrei durante minha visita a um monastério tailandês no interior do Camboja: "Quando a galinha quer um ovo de ouro, não fica parada a ver estrelas. Assim como o rio que quebra a barragem, ela usa toda sua determinação".
Desejo um ano de muito trabalho para todos. Mas não deixem de sonhar! Quem sabe um dia os estagiários sejam considerados gente, e os jornalistas não tenham que ouvir mais a piadinha do jornaleiro.
Que todos estejam com Allah, que Moisés abra o Mar Vermelho mais uma vez, que Cristo volte para fabricar mais pão em série e que Buda ilumine nosso caminho mais do que farol de caminhão!